Zé e Bernardinho ficam nas seleções: nada mais justo

01/12/2012 às 11:30 | Publicado em Bernardinho, Rio 2016, Seleção brasileira, Zé Roberto | 4 Comentários

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Quando li, uns tempos atrás, que o Ary Graça exigia exclusividade para manter Zé Roberto e Bernardinho, como treinadores das seleções brasileiras de vôlei, eu não acreditei. Pra mim, este era um pedido descabido, já que ambos cansaram de mostrar competência e os próprios preferem não ficar metade do ano só observando atletas. Aliás, desde que assumiram as seleções os dois trabalham assim e os resultados estão aí. Pra que mudar?

A CBV poderia se apegar a vários outros argumentos se quisesse mudar os técnicos, menos este. Tanto era um absurdo, que a entidade voltou atrás e, mesmo com Zé no Vôlei Amil, já o confirmou oficialmente no cargo, enquanto Bernardinho, que trabalha na Unilever, está prestes a assinar.

Não sou favorável à permanência de alguém muito tempo em qualquer cargo dado o desgaste que isso naturalmente gera, mas, neste caso, abro uma exceção. Diante de uma Olimpíada em casa, onde a pressão será ainda maior que o normal, não há nomes melhor preparados. Juntos, os dois somam oito medalhas olímpicas, sendo quatro de ouro, e já conhecem todos os detalhes que envolvem uma competição deste porte.

Além disto, atualmente no Brasil, não possuimos nenhum outro treinador que tenha um status de “unanimidade” como rival de qualquer um deles. Fala-se principalmente de Giovane e Luizomar de Moura, mas acredito que os dois ainda precisam de mais algum tempo para estar prontos para esta função. Se a próxima Olimpíada não fosse no Brasil, talvez até desse para arriscar, mas, diante da torcida, é melhor apostar no que já deu certo em diversas situações.

Claro que nem Zé e nem Bernardinho são perfeitos. Zé, por exemplo, vive um desgaste claro com as meninas, apesar de eu achar que a situação não é tão grave assim. Bernardinho, por sua vez, também cometeu “cabeçadas” ao longo do último ciclo olímpico. Ainda assim, eu acho que o trabalho rumo ao Rio 2016 não poderia começar melhor.

E você? Gostou da manutenção dos treinadores na seleção? Vote e depois opine nos comentários!

Poder, expandir, rebaixamento, renovar: algumas das ideias de Ary Graça

10/11/2012 às 10:06 | Publicado em Ary Graça, Bernardinho, FIVB, vôlei de praia, Zé Roberto | 6 Comentários

Esta semana o Ary Graça concedeu uma ótima entrevista para o jornal “O Globo”. Novo presidente da FIVB, ele por vezes não foi direto, mas acredito que suas intenções ficaram bem claras. Abaixo, destaco e comento algumas frases que me chamaram a atenção:

- Ao falar sobre a possibilidade de mudar a regra da FIVB que impede a eleição de um presidente com mais de 72 anos, idade que ele já terá atingido ao fim de seu mandato, em 2016:

“É como aquela música: “Deixa a vida me levar”… (risos) Nesse momento, não penso nisso(…) O Flamengo, a cada quatro ou seis anos, muda de presidente. E ai, deu solução? É preciso condicionar a permanência no cargo a resultados”

Concordo em partes. Realmente, acredito que a avaliação de um dirigente deva ser feita pelos seus resultados (não só os obtidos em quadra), mas acho que o Ary está indo para um caminho um tanto quanto perigoso de acúmulo de poder e já deu sinais que está disposto a tentar mudar a regra da FIVB. Por mais que alguém seja bom, a permanência de alguém em um cargo por muito tempo nunca é positiva, ainda mais no esporte, onde a gente está cansado de ver dirigentes se eternizarem no pode associando-se com outros que também só querem saber de ficar lá para sempre. Abre um precedente perigoso

- Sobre o conflito ético de dirigir ao mesmo tempo a CBV, a Confederação Sul-Americana e a FIVB:

“Meu mandato na CBV vai até 2016, depois das Olimpíadas, mas já me licenciei. Na Sul-Americana, da mesma forma. E assumiram estatutariamente os dois vice-presidentes”

Muito bom. Mas… alguém aí então sabe quem está comandando hoje a CBV? Isso não poderia ficar mais claro, através da divulgação de alguma nota oficial? Se alguém viu, a caixinha de comentários está aberta.

Detalhe importante: a mesma reportagem diz que o Ary transformou a galera de troféus da CBV em sala de espera do novo escritório da FIVB. É tudo grudado agora.

- Expansão do vôlei

“O desafio é vender. Hoje, o voleibol mundial está restrito. Somos fortes apenas em 20, 25 países. No resto, ficamos em níveis inferiores (…). A finalidade imediata é fazer com o vôlei de quadra o que fiz na praia, com a Continental Cup, que trouxe 143 países para disputar vaga nas Olimpíadas. A palavra é oportunidade. E para todo mundo”

Excelente, de verdade. O vôlei precisa mesmo deixar de ser tão concentrado.

- Rebaixamento na Liga Mundial e no Grand Prix

“A Liga Mundial hoje reúne 16 times. Fiz uma proposta de competição apenas com os oito melhores times do mundo. E aí, teria uma Segunda Divisão com outros oito e a Terceira, dando oportunidade para o mundo inteiro entrar. Em todas elas, um sobe e outro cai. Isso nunca houve na Liga Mundial. É uma sugestão que acho que vai ser aprovada, mês que vem”

Ideias interessante, mas que vai gerar muita polêmica. De qualquer forma, como o Ary mesmo disse, é uma maneira de evitar que estas competições fiquem esvaziadas ao serem disputadas por vários times B. E, se forem mesmo apenas oito na primeira divisão, é uma solução para que os atletas de elite não sejam muito exigidos fisicamente, além de tornar a competição mais rápida e emocionante. Vale ao menos para testes.

- Disputa vôlei x MMA pelo posto de segundo esporte do Brasil

“É uma propaganda muito bem feita, mas uma mentira absurda. Não estou dizendo que o MMA não vá adiante. Estou dizendo que há uma limitação de público, dada a brutalidade que é. É um modismo, como foram tantos outros. Quero ver consolidar. Não se pode falar em consolidação antes de dez anos. Essas coisas surgem e vão embora, são os cometas (…) O UFC, enquanto tiver brasileiro ganhando, tudo bem. Quando não tiver, acabou (…) Só que o UFC só tem americano e brasileiro. O japonês tentou entrar e não conseguiu. Na Europa, não tem. Não perturbam. Tenho estatísticas de tudo. Eles não incomodam ainda”

Concordo em partes. Realmente, ainda não dá para falar que o MMA é um esporte consolidado, até porque sua grande força hoje, o UFC, na verdade é uma empresa que, em teoria, pode falir a qualquer momento, e não uma Federação que reúne representantes de vários países. Além disto, o MMA, de fato, está restrito a certas partes do mundo, mas não acho que podemos subestimá-los

- Renovação de Bernardinho e Zé Roberto

“Com o Bernardinho já está tudo bem adiantado. Tivemos uma conversa em Londres, após as Olimpíadas. Com o Zé Roberto, ainda falta uma conversa com o diretor-técnico, Paulo Márcio, para acertarmos tudo. Realmente, a exclusividade é um desejo meu, mas não significa que seja uma obrigação. É aquilo: vou tirar por que? Só porque acham que é preciso mudar a toda hora? Mudar para quê? Se é bom, fica. Se não é bom, sai”

Que bom que o Ary resolveu abrir mão da exigência sem sentido de os treinadores da seleção não comandarem um clube também. Eles mesmos não queria se submeter a isso, seja por questões financeiras ou porque acham que rendem melhor trabalhando na beira da quadra naquele período que as seleções não jogam. A princípio, pode parecer um conflito ético, mas sinceramente até hoje não vi nenhuma convocação que teria sido influenciada pelo fato de Zé Roberto e Bernardinho estarem no clube X ou Y.

PS:  Impressão minha ou nesta resposta ele falou como se ainda fosse ou presidente da CBV?

E você, o que achou das ideias do novo presidente da FIVB? Quem quiser ler a entrevista completa pode clicar neste link aqui

Sandro, do Sesi, sonha com a seleção neste ciclo olímpico

31/10/2012 às 21:11 | Publicado em Bernardinho, Rio 2016, Seleção brasileira, Sesi | 1 comentário

Amigos, o post de hoje é sobre o Sandro, levantador do Sesi. Aos 31 anos e ainda sem ter recebido uma chance “de verdade” na seleção, ele espera que o técnico Bernardinho se lembre dele durante o ciclo olímpico recém-iniciado:

- A cada ano que passa, eu venho evoluindo e meus planos com a seleção continuam abertos. Mesmo aos 31 anos eu estou muito bem, nunca tive lesão séria, e eu sei que, como o Ricardinho saiu, vai abrir uma brecha para um ou dois levantadores. Estou fazendo a minha parte no clube, conquistando títulos.

Enquanto a chance não vem, Sandro aproveita o tempo que Giovane dá de folga aos jogadores para curtir o filhinho, Matheus, de um ano e três meses. Paizão, ele se orgulha todo ao falar do fofíssimo herdeiro, fruto de uma relação de 16 anos com a sua esposa, Patrícia. Quer saber mais? Veja a matéria publicada nesta quarta no Portal R7:

Levantador do Sesi conta com “pé quente” do filhinho para chegar à seleção

Será que Sandro deve ser levado em consideração para o Rio 2016? Ao menos uma chance ele merece, assim como William Arjona e Rapha. Com duas Olimpíadas nas costas e pouca idade, Bruno sai na frente de todo mundo, mas esta é uma disputa que promete ser boa nos próximos quatro anos.

E você, o que acha? Sandro deve defender a camisa amarela do Brasil nos próximos anos?

Dois vídeos históricos antes de duas finais históricas

18/10/2012 às 19:36 | Publicado em Bernardinho, Mundial, Mundial de clubes, Tande | 1 comentário

Concentradíssimo, Giovane se prepara para o saque que decidiu o Mundial de 2002 (Foto: Reprodução/TV Globo)

Em uma semana na qual Sollys/Osasco e Sada Cruzeiro podem escrever mais dois capítulos da história do voleibol brasileiro, deixo abaixo links para dois vídeos muito bacanas exibidos pelo “Esporte Espetacular” no último domingo (infelizmente, não consegui embedá-los aqui no blog).

Exibido entre os aniversários de 30 anos do vice-mundial em 1982 e dos 10 anos do título mundial de 2002, o programa homenageou duas gerações de homens importantíssimos para o desenvolvimento da modalidade no país, que, curiosamente, se consagraram no mesmo local, o ginásio Luna Park, em Buenos Aires.

Como bônus, o Tande fez uma matéria mostrando como estão Ronald Zwerver, Henk-Kan Held, Edwin Benne, Peter Blangé e Marko Klok, cinco dos grandes nomes da seleção holandesa que perdeu a final das Olimpíadas de Barcelona para o Brasil, partida que completou 20 anos no último dia 9 de agosto.

Imperdível para quem é fã de vôlei:

Vídeo dos 30 anos da final do Mundial de 1982 e dos 10 anos do título mundial de 2002

Tande vai à Holanda reencontrar adversários da decisão de Barcelona 1992

Quanto a história que está prestes a ser escrita, dois rápidos comentários sobre os times brasileiros no Mundial de clubes da FIVB: por tudo o que vem mostrando até agora, inclusive a consistência dos três últimos sets da vitória por 3 a 1 sobre o Rabita Baku na etapa de grupos, o Osasco é favorito ante o time azeri na decisão desta sexta. Ajuda, porém, se a Montaño não estiver tão inspirada. O jogo começa às 11 horas (de Brasília)

Já o Sada Cruzeiro tem uma missão um pouco mais complicada para se tornar o primeiro time brasileiro a ser campeão do Mundial masculino, mas certamente tem capacidade para corrigir os erros que levaram o time à derrota para os italianos na primeira fase. A decisão está para ser logo depois do feminino, por volta das 13 horas (de Brasília).

Equilíbrio: a chave da Unilever para a temporada 2012/2013

25/09/2012 às 21:18 | Publicado em Bernardinho, Fabi, Fofão, Unilever | 5 Comentários

Crédito: Luiz Doro/adorofoto/Divulgação

No ano passado, quando as movimentações do mercado terminaram, fiquei com a sensação de que o time da Unilever tinha tudo para ser campeão da Superliga: afinal, o elenco que havia subido ao ponto mais alto do pódio na temporada anterior havia sido reforçado por Sheilla, Mari e Natália, o mito Fernanda Venturini deixara a aposentadoria e Juciely, Valeskinha e Fabi continuavam na equipe. Era, em resumo, um timaço.

Mas, como todo mundo sabe, não foi isso que aconteceu: Natália descobriu uma lesão gravíssima, Mari não atingiu sua melhor forma técnica, Sheilla jogou bem, mas sentiu o cansaço do ritmo puxado e os problemas de saúde da avó e, para finalizar, Fernanda Venturini não se mostrou tão brilhante quanto antes. As demais jogadoras, por sua vez, não conseguiram reverter a difícil situação e o time carioca teve mesmo que se conformar com o vice diante de Osasco, que fez um belo campeonato e merecidamente ficou com a taça.

Tentando retomar o domínio do vôlei nacional, a Unilever apresentou sua equipe da temporada 2012/2013 nesta segunda-feira (24) voltando a uma premissa que muitas vezes fez da equipe campeã: o equilíbrio. Se Osasco tem o melhor elenco, com a base da seleção brasileira como titular, a equipe comandada por Bernardinho faz sua aposta em nomes que já mostraram o seu valor no passado, mas que neste momento estão menos badalados que as rivais de São Paulo.

O passe, que foi um problema seríssimo da Unilever na última Superliga, será executado por uma dupla de respeito: Logan Tom e Fabi. A americana, como se sabe, também se vira muito bem no ataque, mas a função de substituir Sheilla como “bola se segurança” caberá a duas atletas: a canadense Sarah Pavan, uma revelação que no ano passado por a maior pontuadora da Liga Italiana, e Natália, de quem se espera estar plenamente recuperada do problema na canela que ameaçou sua carreira.

A responsabilidade de distribuir as jogadas está com a competente Fofão, que ainda terá as experientes centrais Juciely e Valeskinha como opções de ataque rápido.

Analisando a equipe, vejo um time bem montado, mas que corre alguns riscos. Quem, por exemplo, garante que Natália e Fofão conseguirão ser as mesmas de antes? Nati ainda precisa de muito ritmo de jogo, muito mesmo, afinal está sem disputar partidas há cerca de um ano. A levantadora, por sua vez, pode sofrer com o mesmo problema que afetou Venturini, visto que já tem 42 anos e não jogou na temporada passada por não ter conseguido um contrato que lhe agradasse.

No meio, Valeskinha (1,80 m) e Juciely (1,84m) continuarão com dificuldades no bloqueio diante das adversárias mais altas, mas ganham o auxílio de Sarah (1,96 m), que, por sua vez, terá que se adaptar ao voleibol brasileiro, cujo ritmo de treinamento é bem mais pesado que no exterior. No banco, a aposta está na jovem ponteira Gabi, que se destacou pelo Mackenzie na última Suérliga, e ganhou muitos elogios de Bernardinho, que a vê como um “diamante a ser lapidado” para o Rio 2016.

Olhando os pontos positivos e os negativos, vejo a Unilever um pouco abaixo de Osasco, mas acima do Amil/Campinas e do Sesi. Porém, estamos falando de um time com muito potencial, então não me surpreenderia em caso de um novo título.

E você, como avalia esse elenco da Unilever para 2012/2013? O espaço aqui está aberto, assim como no Facebook.

É possível ver duas matérias sobre a Unilever que publiquei nesta terça (25) no R7 através dos links abaixo:

Unilever se inspira no Brasil nas Olimpíadas para bater o badalado Osasco esta temporada

Bernardinho não se confirma na seleção e nega reconciliação com Zé Roberto

“Pátria”: a graça da rivalidade

11/09/2012 às 19:30 | Publicado em Bernardinho, Cuba, rivalidade, Seleção brasileira | 11 Comentários

O vídeo acima é do excelente documentário “Pátria”, do diretor Fábio Meira. Lançado pouco antes das Olimpíadas de Londres, o filme trata da explosiva rivalidade entre as seleções femininas de vôlei de Brasil e Cuba na década de 90, com foco nos Jogos de Atlanta.

Além de mostrar diversas cenas daquela histórica semifinal, Meira colocou Ana Moser, Marcia Fu, Virna, Mireya Luis, Regla Torres e Carvajal para ver o jogo de novo, ao mesmo tempo em que as entrevistava (individualmente). Apesar de eu ter sentido falta do depoimento do Bernardinho, o resultado ficou sensacional. Se ainda não assistiu, está esperando o quê? Dá o play acima e confira!

Vendo as cenas, rolei de rir com as cubanas, que continuam provocadoras até hoje. Sim, eu também passei uma raiva enorme com elas à época, mas olhando agora tudo me parece um enorme folclore. Eu gosto de rivalidades e acho bacana pro esporte. Infelizmente, isso é algo que pouco a pouco a busca pela “boa imagem” vem destruindo.

No fim, rivalidade é divertido. Óbvio que deve haver limites, mas observem só como até as jogadoras são saudosas daquela época. Bom tempos, aqueles.

E você? Ainda sente raiva das cubanas? Caixinha de comentários aberta!

Não se mexe em time que está ganhando

17/08/2012 às 20:19 | Publicado em Bernardinho, Londres 2012, Seleção brasileira, Zé Roberto | 1 comentário

Por indicação de amigos em comum, cheguei a um texto escrito por um competente ex-colega de trabalho, Fernando Cesarotti, no blog Esporte Fino. Em resumo, ele defende a ideia que tanto Bernardinho quanto Zé Roberto Guimarães deveriam deixar o comando das seleções de vôlei a fim de propiciar uma renovação para o Rio 2016 e evitar um aprofundamento do processo de desgaste que ambos os treinadores já sofrem. Para as vagas abertas, as sugestões são Giovane e Luizomar de Moura.

Acho a discussão interessante, mas sinceramente não concordo com essa opinião. Primeiro porque sou adepta da filosofia do “em time que está ganhando não se mexe”. Segundo porque ambos parecem dispostos a continuar. Por fim, não vejo nenhum nome no país ainda em condições de aguentar o tranco do cargo, especialmente com uma Olimpíada em casa pela frente.

Com todo respeito aos demais treinadores, é como deixar Fofão e Fernanda Venturini (ambas no auge, claro) fora de um time que vai disputar o campeonato mais importante de sua história. Pode dar certo? Claro. Mas pra que abdicar do que possuímos de melhor, especialmente quando o melhor está disposto a ficar?

Por tudo o que eu vinha acompanhando durante o último ciclo olímpico, achei que Bernardinho pediria demissão após Londres e Zé Roberto não se sustentaria no cargo. Porém, o primeiro já aceitou viver mais alguns meses na loucura de se dividir entre clube e observações para a seleção, enquanto o segundo ganhou fôlego com a épica campanha do ouro na Inglaterra. Ou seja, se ficarem mesmo, será porque assim desejam.

Tanto desejam continuar na seleção que estão se arriscando mais do que se beneficiando com a continuidade. Se vencerem no Rio, estarão fazendo aquilo que sempre fizeram. Se não chegarem nem na final, vão tomar pedradas de uma parte considerável da passional torcida brasileira. E, com renovações complicadas pela frente, escancaradas pelos altos e baixos dos últimos anos, não ficaria surpresa se um bom resultado não aparecer.

Passando dos Jogos do Rio, aí sim sou a favor da renovação. Afinal, se até Fofão e Venturini puderam ser substituídas, por que os treinadores seriam intocáveis? Até lá que o Brasil só não caia novamente no erro de não preparar ninguém e passar pelo mesmo sufoco das levantadoras.

Problemas para fechar?

19/09/2010 às 21:47 | Publicado em Alemanha, Bernardinho, Mundial, Seleção brasileira | 1 comentário
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Não houve transmissão dos dois primeiros amistosos do Brasil contra a Alemanha e, assim, fica complicado fazer qualquer análise. Como saber se fulano jogou bem ou ciclano esteve mal tendo como base somente relatos de lances esporádicos? Não seria honesto comigo, com o público que frequenta este blog e muito menos com os jogadores.

Analisar as escalações e os nomes que entraram durante o jogo poderia ser um caminho, mas ainda assim ele é traiçoeiro: afinal, trata-se ainda de um período de testes e não sabemos direito em que momento, por quanto tempo e o que fizeram exatamente os atletas que entraram em quadra.

Sem estatísticas, a coisa complica mais ainda. Resta então tentar traçar um comentário baseado nos placares (2 x 3 na sexta e 3 x 1 neste domingo) e nos relatos de quem estava lá. E o que eu reparei foi algo que já havia chamado atenção nos jogos contra a Polônia no Paraná: a falta de concentração da seleção na hora de fechar os sets. Em Curitiba, isso acabou meio que passando despercebido porque normalmente a vantagem estabelecida era grande o suficiente para evitar maiores problemas com os sucessivos pontos tomados neste momento, mas trata-se de algo que pode ser fatal em uma partida decisiva do Mundial.

A forma extrema desta dificuldade apareceu no tie-break contra a Alemanha: após estar vencendo por 9/3, o Brasil acabou perdendo por 15/13. Esta virada, porém, me parece uma exceção e eu acho que dificilmente se repetirá – conhecendo o Bernardinho, aliás, a bronca não deve ter sido pequena.

Por outro lado, o único set que os brasileiros perderam na segunda partida (24/26) foi após eles estarem vencendo por 22/20 e terem obtido um set point com 24/23. Na segunda etapa, o placar chegou a estar em 19/12, mas só foi terminar em…. 25/23!

A terceira parcial foi semelhante: após ir para o segundo tempo técnico com 16/13, o Brasil precisou salvar set point. Somente o quarto set parece ter sido um pouco mais normal, com os campeões mundiais dominando o tempo todo e conseguindo frear uma reação após ter 16/11 e ver essa vantagem cair para apenas dois pontos. Entretanto, difícil saber até que ponto houve mérito dos brasileiros ou falha dos alemães, que segundo o release do jogo, desperdiçaram muitos saques.

Dezesseis menos dois

06/09/2010 às 22:49 | Publicado em Bernardinho, Mundial, Seleção brasileira | 4 Comentários

Além da cirurgia da Mari, o mundo voleibolístico teve neste fim de semana os últimos jogos da seleção masculina no Brasil, também conhecidos como aqueles que serviram para o técnico Bernardinho ter uma ideia melhor sobre quais serão os dois jogadores cortados do Mundial da Itália.

As escalações variaram bastante de um dia para o outro e somente Murilo, que vem sendo incontestável este ano, e Mario Jr., machucado, não entraram em quadra. Derrotada facilmente nos dois primeiros jogos, a Polônia também fez rodízio e só quando Kurek esteve em quadra conseguiu, de fato, incomodar o Brasil.

O 3 a 2 do domingo, aliás, foi recheado de falhas no passe verde-amarelo e rendeu uma cena sensacional: o Bernardinho louco da vida, mas sem poder fazer quase nada porque estava na cadeira de rodas. Em certo momento, ele ficou tão nervoso com o time que não me espantaria de vê-lo jogar a cadeira em algum infeliz por ali… rs

Encerrados os amistosos, a CBV informou que a lista final para o Mundial provavelmente sai no dia 13, um antes do embarque. Dos 16 que treinam em Saquarema, dois poderão se apresentar aos seus respectivos clubes mais cedo.

Na minha opinião, dez já estão garantidos: Bruno, Dante, Giba, Leandro Vissotto, Lucão, Mario Jr., Marlon, Murilo, Rodrigão e Théo. Os outros seis (Alan, Éder, João Paulo Tavares, João Paulo Bravo, Sidão e Thiago Alves) lutarão pelas quatro vagas restantes.

Quais são as principais dúvidas do Bernardinho? Tentaremos destrinchá-las:

Quatro centrais? Cinco ponteiros?
Com a possibilidade de inscrever 14 jogadores para o Mundial da Itália, o técnico brasileiro deve contar com dois levantadores, dois opostos, dois líberos e … quatro centrais e quatro ponteiros ou três centrais e cinco ponteiros? Voto na primeira opção, até porque ter cinco jogadores para disputar duas vagas de titular me parece um exagero…

Thiago Alves, João Paulo Bravo ou João Paulo Tavares?
Murilo, Giba e Dante certamente passarão o fim de setembro e o começo de outubro na Europa, mas quem vai com eles na ponta? Thiago, João Paulo Bravo e João Paulo Tavares são candidatos a um ou dois lugares na posição e acredito que Thiago seja favorito pelo fato de ser sido convocação constantes desde Pequim. Tavares também joga de oposto, mas este fator não me parece fundamental nesta convocação. Já Bravo também virou opção como líbero… porém, o fato de ter sido mais aproveitado durante as partidas em Curitiba como atacante me deixou intrigada e pode ser um sinal que ele será o grande coringa da equipe.

Líbero reserva: Alan ou João Paulo Bravo?
A possibilidade de levar um líbero reserva abriu uma grande oportunidade para Alan voltar a jogar em grande estilo. Era ele, aliás, que no fim do outro ciclo olímpico estava sendo preparado para substituir Serginho, mas duas lesões no tendão-de-Aquiles o deixaram quase dois anos afastado das quadras e Mario Jr. aproveitou a oportunidade com tudo.

Sinceramente, não o achei tão bem nos jogos em Curitiba e chamaria o Bravo pela experiência na Itália e pela possibilidade de também atuar na ponta, se for necessário. Porém, a comissão técnica pode optar por alguém que seja especialista na função, algo que o Bernardinho sempre prestigiou.

Reserva no meio-de-rede
Rodrigão, pela experiência, e Lucão, por tudo o que jogou na Liga Mundial, são hoje os titulares do time, enquanto Éder e Sidão disputam a terceira vaga na posição, certamente a mais bem servida hoje no Brasil tanto na equipe masculina quanto na feminina.

Sidão foi muito, muito bem nos amistosos e por isso desponta como o favorito. Éder também é ótimo jogador, mas a pubalgia que o afetou após a Superliga diminuiu as chances dele nesta temporada de seleções. Se Bernardinho levar quatro centrais, o que tem uma boa chance de acontecer, entra.

Enquanto isso…- A Mari saiu da clínica onde estava internada e as notícias vindas do site oficial dela são muito boas: a jogadora já consegue flexionar a perna em 90 graus e até deu alguns passos. Nada mau para quem tem pouco mais de 72 horas de pós-operatório.

Rodando, rodando, rodando…

24/08/2010 às 19:12 | Publicado em Bernardinho, Mundial, Seleção brasileira, título | Deixe um comentário
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O velho bordão do Silvio Santos deu o tom das seleções brasileiras de vôlei na semana passada. Porém, se no time feminino a gente pôde acompanhar todas as experiências do técnico José Roberto Guimarães, no masculino mal deu para saber o que aconteceu (além dos resultados) nos amistosos realizados na Polônia sob o comando do técnico Rubinho – o Bernardinho, como todos sabem voltou mais cedo ao Brasil para ser operado devido a uma ruptura do tendão de Aquiles durante um treino.

Não achei nenhum lugar que passasse os jogos e muito menos as estatísticas. O melhor, obtido através do Twitter @7mais7, foi um “Live Score” em polonês (!!!!). Mas, pelas escalações divulgadas pela CBV, deu para ver que houve um rodízio muito grande e os jogadores confirmaram isso no desembarque desta terça-feira. Como ressaltou o Murilo: “Mudamos as peças e conseguimos manter o mesmo nível, continuamos com um padrão muito bom”.

Padrão que resultou em mais um título, o 26º da Era Bernardinho em 32 torneios. E mesmo baleado, o comandante não dá folga: a reapresentação da seleção está marcada para a noite desta quarta-feira, no Rio. Entre 3 e 5 de outubro serão três amistosos contra a Polônia em Curitiba, enfim televisionados, o que nos permitirá ter uma noção maior de como está a equipe para o Mundial, que já começa em 25 de setembro.

Ver o nascer do Sol no aeroporto hoje foi cansativo, mas rendeu coisas bem legais. Pouco a pouco vou colocando lá na Gazeta Esportiva.Net e aqui.

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