Assim não, Fabi!

17/09/2012 às 9:38 | Publicado em aposentadoria, Fabi | 9 Comentários

Quem lê este blog desde os tempos em que ele estava hospedado no servidor do “Melhor do Vôlei” sabe que eu admiro o trabalho da líbero Fabi. Meses antes das Olimpíadas de Londres, quando muita gente pedia a ida de Camila Brait para a Inglaterra, eu defendia a manutenção da jogadora da Unilever na seleção, dando espaço para a atleta do Sollys/Osasco só depois dos Jogos.

Segunda medalha de ouro no peito, Fabi foi (merecidamente) convidada a representar os atletas em encontro com a presidente Dilma Rousseff na semana passada. E aí cometeu em grande equívoco, na minha opinião, ao pedir a criação de uma “aposentadoria por mérito”. Seguem as palavras dela:

“Fui cobrada para fazer isso. Acho que poderia ser criada uma aposentadoria por mérito. Seria o reconhecimento pelo esforço feito. A medalha fica guardada num canto de casa, mas dedicamos nossa vida ao esporte. Passamos mais tempo competindo do que com nossa família”

Todo mundo aqui sabe o sacrifício que envolve a vida de um atleta, que perde boa parte da vida social em busca do sonho de conseguir uma medalha olímpica. Não bastasse isso muitas vezes os jovens são obrigados a depender financeiramente da família até muito tarde, já que o esporte ainda não é satisfatoriamente organizado no Brasil.

Porém, todo mundo aqui sabe também que, a partir do momento em que se atinge um determinado status, o atleta passa a ganhar muito bem. No caso de jogadores da seleção de vôlei, tais rendimentos se equiparam ao de executivos de multinacionais. Claro que isso não dura muito tempo, carreira de atleta tem limite, mas com um pouco de organização é possível se bancar o resto da vida com o obtido no auge. E pode ter certeza que esta quantia é maior do que boa parte de nós vai conseguir juntar em 25, 30 anos de dedicação a um emprego “comum”.

Ou seja: pedir dinheiro do governo por conta de uma medalha olímpica beira o absurdo, principalmente no mundo de hoje, onde ninguém mais sobe a um pódio de qualquer modalidade em uma grande competição na base do amadorismo.

Antigamente, quando não ser profissional era uma exigência levada a sério pelo COI (quem ganhava algum dinheiro com o esporte podia até mesmo perder a medalha), se aposentar por mérito até fazia algum sentido. Agora, no entanto, não dá para engolir isso. Então, Fabi, é melhor o governo investir esse dinheiro de “aposentadoria” na base…

E você, o que acha da proposta da jogadora?

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9 Comentários »

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  1. Mamar na teta da vaca ela não quer né? Duro é acordar 4:30 da manhã chegar em casa às 20h, ter uma aposentadoria pífia e viver com menos 1/10 do que elas vivem por mês…
    Infelizmente ela foi infeliz…

    • ela foi infeliz***

      • Discordo desse tipo de aposentadoria. Eles têm tudo do melhor e, muitas vezes nem são os melhores e nem aproveitam a chance. Qual o mérito? Ganhar medalhas? Isso é obrigação!!! Ridículo esse pedido! Não Dilma, não. Meus Deus, sempre desconfiei da “burrice” da Fabi, pois até os burros (animais) fazem suas obrigações quando bem treinados, então…. Amo vôlei, sempre acompanhei e acompanharei, porém a Fabi, embora eu creia que ela não esteja nem aí para a minha opinião, confirmou ser mercenária. Cresça como ser humano Fabi.

  2. Claro que atletas do volei tem um patamar financeiro que talvez até jogadores de futebol não tenham. E que este tipo de atleta não precisa ser sustentado pelo estado após sua aposentadoria. Mas nesse caso, acho que Fabi não está atuando eu causa própria. Tanta gente recebe aposentadoria do governo nesse pais sem ter feito nada de bom, deputados ex guerrilheiros ex torturadores, por que medalhistas olímpicos não? Os irmãos Falcão ou a Adriana do boxe ficarão ricos? Ou os meninos do Judo? Esses que dedicaram a vida para buscar ouros para o brasil não podem sequer pleitear aposentadoria por tempo de serviço pois os anos que dedicaram não contam como trabalho.Esses que são usados como propaganda de governo não merecem ser aposentados já que o esporte não é uma profissão no nosso país? Acho que a Fabizinha fez muito bem em botar a cara para cobrar daquela que comanda nosso país que abra os olhos para aqueles a quem usará como propaganda e arma de campanha!

  3. Eu acho que elas teriam que ter algo sim pro resto da vida . Ate pq elas nao estudaram , nao fizeram uma profissão pra estar nos dando orgulho . Apoio sim essa aposentadoria , ate pq o governo paga ate pra bandido que estar na cadeia pra não pagar pra atletas que nos fez ter orgulho do nosso esporte .

  4. Completamente infeliz a avaliação da blogueira e de muitos ai a cima… Os contratos dos jogadores são feitos por temporada e eles ganham por 10 meses o que deveriam ganhar por 12, ou seja é lógico que parece bastante, mas ganham essa quantia maior por em média 8, 10 anos, antes disso estão com salários “baixos” para um sustento para o resto da vida, fora que isso não é um pedido para o voleibol, a análise deve ser feita para diversos esportes!!! Imagina uma atleta que ganhou 10.000, 5 anos, contrato de 10 meses, 500.000 em 5 anos (salário alto para quem ta começando), depois por 10 anos ganhou 25.000,00 são poucos que ganham isso. Mantendo um padrão de vida razoável com um salário de 8.000,00 guardariam 17.000.00 ou seja 1.700.000,00, dois milhões e 500.000,00, se comprarem um apartamento para morar bom como muitos executivos como foram comparados moram, esse apartamento no Rio ou SP seria de 1.000.000,00, ou seja sobraria 1.200.000,00 para fazer render e pagar o custo desse apartamento, o custo de toda a sua vida! Acho que sim, eles merecem uma aposentadoria, e que ela seja baixa, mas que exista, como uns 4.000.00, sei lá, um valor que ajude a manter um pouco do patamar que por merecimento e muita dedicação eles atingiram!

    • Acho que não vivemos em um país igualitário o suficiente para tal medida. O Brasil é o segundo país com maior concentração de renda do mundo (Coeficiente de Gini), embora seja a 6a maior economia. Temos um ensino público de péssima qualidade e Ensino Superior gratuito para “poucos e bons”; 1% da população detem 90% da riqueza produzida no país; temos problemas de concentração de riqueza em escala estadual e regional; problemas de infraestrutura em saúde, indústria, tecnologia, serviços; ainda vivemos em uma cultura latifundiária, que se estendeu para a especulação imobiliária (problemas de habitação e urbanização, oi?). Portanto, outras necessidades se fazem muito mais importante que “aposentadoria por mérito”. E digo mais, resolver certas necessidades sociais brasileiras é muito mais importante que construir estádios, realizar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada. E sem essa conversa de que o investimento volta, porque até onde eu sei, esse lucro vai pro bolso de poucos.
      Fabi é sim, como muitos atletas de ponta (e muitos atletas que não estão em nível olímpico), uma privilegiada. Principalmente por ter escolhido dedicar a carreira dela ao esporte e ter se tornado uma bi-campeã-olímpica, enquanto muita gente, sem apoio, acaba abandonando o esporte para poder ajudar no sustento familiar.
      Pedir uma “aposentadoria por méritos” me pareceu uma atitude egoísta da parte dela (e de quem a cobrou para fazer tal reivindicação).
      Longe de dizer se ela está certa ou não – já que as pessoas são ótimas quando julgam pela internet, na plenitude de seu anonimato – acho que a reivindicação deveria levar em consideração todos os atletas que vivem do esporte (ou pelo menos tentam) e que o praticaram até certo tempo, de forma que receber uma aposentadoria apenas seria justa por um certo tempo de atuação como atleta.
      Reveja seu exemplo relativo à compra de um apartamento. Antes de tudo, um atleta tem de ter bom-senso e saber que a longevidade de sua carreira não é a mesma que a de um executivo e, por isso, comprar um apartamento do tipo mencionado por você, são pelo menos uns dez passos maior que a perna.

  5. Concordando ou não comigo, obrigado pelos comentários, pessoal. Abs!

  6. […] passada, usei este espaço para criticar o pedido de aposentadoria por mérito feito por Fabi em solenidade c…. Portanto, nada mais justo que eu usasse a oportunidade em que estive com a jogadora para ouvir o […]


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