O que espero de Ary Graça na FIVB

21/09/2012 às 22:56 | Publicado em Ary Graça, FIVB | 2 Comentários

Confirmando o favoritismo, Ary Graça conseguiu se eleger presidente da FIVB. Trata-se de um marco na história esportiva brasileira, visto que até hoje somente João Havelange, no futebol, havia comandado uma federação de tamanha importância.

Mas o que esperar dele? Lendo textos por aí e conversando com amantes da modalidade como o João Batista Junior, cheguei a alguns pontos que eu gostaria de ver Ary trabalhando em sua gestão. São estes:

– Que, por favor, as competições femininas deixem de ser tão centralizadas na Ásia. Torcedores ocidentais não aguentam mais os horários bizarros das partidas, sem falar no desgaste causado em jogadoras e comissões técnicas.

– Que a FIVB ajude o público leigo a entender melhor o valor dos principais torneios. Volta e meio me deparo com pessoas (às vezes jornalistas) que não sabem diferenciar uma Liga Mundial de um Mundial ou de uma Copa do Mundo. E, realmente, pra quem está olhando de fora parece mesmo ser tudo a mesma coisa, já que até os nomes são parecidos.

– Que a FIVB continue trabalhando para o vôlei ser forte em mais países. Por mais que a entidade se orgulhe de possuir mais países filiados que a ONU (220 a 193), o vôlei ainda tem um alcance global menor que o basquete. É um trabalho que já está em desenvolvimento, mas que não pode parar. Neste sentido, a Universidade do Vôlei, proposta do próprio Ary neste pleito, é fundamental.

– Que o Circuito Mundial de vôlei de praia seja fortalecido e pare de competir com a liga americana (AVP). Aliás, nas areias se repete o problema de competições que parecem a mesma coisa para o público leigo, com pouca gente valorizando o Mundial. E, neste caso, há um agravante, já que as etapas do Circuito Mundial possuem status diferente uma das outras. Fazer as contas para saber quem é o líder da temporada também é chato e complicado, então, por que não simplificar?

– Que os clubes sejam mais valorizados, já que são eles que pagam a maior parte dos atletas por aí. E, como todo mundo sabe, sem dinheiro não dá para trabalhar, o que em última instância significa a perda de atletas. Em contrapartida, os times precisam ser cobrados para que honrem os seus compromissos e, caso não cumpram o prometido com seus contratados, sejam punidos.

– Que a FIVB incentive a construção de CTs como o de Saquarema em vários outros países, assim como passe a implementar em escala global projetos como o VivaVôlei.

– Que Ary não tente continuar comandando a CBV indiretamente. Isso porque, apesar de poder acumular os cargos, Ary deve somente tirar uma licença de suas funções no Brasil, deixando o comando para Walter Pitombo Laranjeiras, o Toroca, vice da entidade. Não dá para tentar ocupar dois cargos desta magnitude ao mesmo tempo, por mais competente que a pessoa seja. Sem falar no conflito de interesses… qualquer erro de arbitragem a favor do Brasil em competições internacionais pode virar motivo de insinuações maldosas, mesmo que tenha realmente sido um erro.

– Falando em erro, já está na hora de o vôlei seguir o exemplo do tênis e começar a usar (com moderação) a tecnologia no esporte. Na minha visão, o direito de pedir um ou dois “desafios” por set pode evitar injustiças sem travar as partidas. A Penalty também já começou a tocar o projeto de uma bola com chip no Brasil, mas por algum motivo a ideia nunca foi, de fato, aplicada.

– Por fim, que Ary siga o exemplo do chinês Jizhong Wei e continue promovendo a democracia na FIVB. Ok, difícil esperar isso de alguém que passou 15 anos como mandatário da CBV, mas, de qualquer forma, o brasileiro, 69, não poderá acumular mais de dois mandatos, visto que o limite para ocupar o cargo é 75.

Toda sorte para o novo presidente da FIVB. Abaixo e no Facebook, a caixa de comentários está aberta para quem concorda, para quem discorda, para quem tem ideias não mencionadas…

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2 Comentários »

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  1. A principal e mais urgente mudança ao meu ver deve ser usar a tecnologia a favor do esporte nos casos dos lances polêmicos. É ridículo ver campeonatos sendo decididos por erros grosseiros de arbitragem, acaba com a credibilidade do esporte. E que pelos próximos 4 anos não tenhamos que acordar (ou nem dormir) para assistir a um jogo da seleção feminina: CHEGA DE JOGOS NA ÁSIA!!!
    Mas discordo totalmente da parte do incentivo para criação de CTs em outros países. cada um que se preocupe em desenvolver-se de acordo com seus ideais e por méritos próprios. Reconheço que seria muito bom para o desenvolvimento do esporte, mas pensando com a emoção de torcedora fanática que sou, não gostaria de ver nossos adversários ainda mais fortalecidos.

  2. Concordo com todas as propostas!
    Tô cansada daqueles jogos centralizados na Ásia, acho que o Grand Prix deveria deveria ser disputado nos mesmos moldes da Liga Mundial…
    A Tecnologia é fundamental nos dias de hoje: como o vôlei está cada vez mais veloz, é necessário se adaptar…
    Enfim, precisamos de mudanças já! Porque aquela múmia chinesa praticamente não fez nada pelo meu querido vôlei, a não ser apoiar aqueles Torneios chatérrimos lá na Ásia!!!


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