O absurdo caso de Kim

26/10/2012 às 21:52 | Publicado em Coréia do Sul, FIVB, Kim | 2 Comentários
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Sempre que perguntado sobre quem seria a melhor jogadora do mundo na atualidade, o técnico José Roberto Guimarães tem a respostas na ponta da língua: Kim Yeon-Koung. A princípio, a resposta pode até parecer estranha por se tratar de uma jogadora oriunda de um país que, atualmente, não faz parte da elite do vôlei mundial. Mas basta acompanhá-la durante algumas partidas para entender que ela é digna de todos os elogios. Para o público brasileiro em geral, a asiática apresentou suas credenciais durante as Olimpíadas de Londres, quando ela marcou 21 pontos na surpreendente vitória por 3 sets a 0 de sua seleção sobre o Brasil ainda na primeira fase.

Fundamental para Coreia chegar às semis, Kim terminou as Olimpíadas como a maior pontuadora, com 207 acertos, e terceira atacante mais eficiente. Não por acaso, a ponteira foi bastante disputada por clubes do mundo inteiro na última abertura do mercado, optando no fim por renovar com o Fenerbahce, da Turquia, onde jogou com Zé Roberto na temporada passada. Simpática e querida no meio do vôlei, costuma se referir ao respeitado técnico da seleção brasileira como o “cabeçon”.

Pois, por muito pouco, a burocracia e dirigentes mal intencionados fizeram uma jogadora deste porte optar por uma aposentadoria precoce e conseguiram tirá-la do último Mundial de clubes. As @irmasmello explicaram o porquê direitinho à época no Twitter e pego carona no ótimo resumo delas: na Coreia do Sul, existe uma regra bizarra na qual a jogadora só pode trabalhar sem agente depois de seis anos de carreira. No caso da craque, esse período venceria em 2011, mas ela foi emprestada por seu primeiro clube, o Heungkuk Life, em 2009 para o JT Marvelous, do Japão, onde ficou por dois anos. O contrato continuou o mesmo.

E foi aí o problema, já que o Heungkuk Life alegou ter um documento – assinado pela jogadora – no qual ela só seria considerada “livre” após completar os tais seis anos atuando pelo clube, que a queria de volta após a passagem pelo time japonês. Logo, ela não poderia ir para o Fenerbahce. Kim, por sua vez, alega que o tal documento era apenas um acordo no qual o clube se comprometia a liberá-la já em 2011 desde que a FIVB desse o seu aval, o que pelas regras internacionais provavelmente aconteceria. Aliás, segundo ela, o acordo entre as partes previa que esse texto nem seria considerado oficial. Kim ainda diz que só o assinou porque, à época, era a única maneira de conseguir sua liberação e ir para o Fenerbahce rapidamente, uma vez que já havia assinado com os turcos, ansiosos para que ela se apresentasse logo.

Pois adivinha que os sul-coreanos fizeram meses atrás? Mandaram o documento para a FIVB em caráter oficial. Vendo a assinatura da jogadora, a entidade passou a dar uma outra interpretação para o caso e considerou que Kim precisava obedecer às regras de seu país. Depois de muita briga, ela ganhou a disputa na última segunda (22). Final feliz, mas com consequências, visto que o Fener não pode contar com a ponteira no Mundial de clubes, encerrado no dia 19. Talvez com ela em quadra, a equipe turca tivesse feito uma semifinal melhor diante do Rabita Baku, que posteriomente perdeu a decisão para o Sollys/Osasco.

Por mais que eu entenda o direito de a Federação e dos clubes sul-coreanos de protegerem seus jovens talentos e fortalecerem a liga local, é um absurdo obrigar um atleta a jogar em um lugar que ela não queira durante estes seis anos. Kim deveria desde sempre ter sido livre para assinar contrato onde quisesse obedecendo apenas aos termos que aceitasse, mas praticamente virou uma escrava. Não bastasse isso, os dirigentes do país ainda teriam agido de má fé ao obrigá-la a assinar o tal documento e depois o apresentando sem consentimento para a FIVB.

Um verdadeiro absurdo que quase acabou com a carreira de uma esportista talentosíssima, que mesmo enfrentando todo esse problema defendeu muito bem seu país durante as Olimpíadas de Londres. Não venceram, mas no fim ainda conseguiram prejudicar o nível técnico do Mundial de clubes. Malditos burocratas.

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2 Comentários »

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  1. Coréia não caiu nas quartas… foi à semifinal, perdendo pras americanas, e perderam o bronza para as japonesas. 😉

  2. Vendo as fotos postadas no face da Paula pequeno oficial onde eu vejo a Kim sorrindo nem imaginava o drama pelo qual ela passou, ainda bem que isso se reverteu, ótima jogadora.


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