Poder, expandir, rebaixamento, renovar: algumas das ideias de Ary Graça

10/11/2012 às 10:06 | Publicado em Ary Graça, Bernardinho, FIVB, vôlei de praia, Zé Roberto | 6 Comentários

Esta semana o Ary Graça concedeu uma ótima entrevista para o jornal “O Globo”. Novo presidente da FIVB, ele por vezes não foi direto, mas acredito que suas intenções ficaram bem claras. Abaixo, destaco e comento algumas frases que me chamaram a atenção:

– Ao falar sobre a possibilidade de mudar a regra da FIVB que impede a eleição de um presidente com mais de 72 anos, idade que ele já terá atingido ao fim de seu mandato, em 2016:

“É como aquela música: “Deixa a vida me levar”… (risos) Nesse momento, não penso nisso(…) O Flamengo, a cada quatro ou seis anos, muda de presidente. E ai, deu solução? É preciso condicionar a permanência no cargo a resultados”

Concordo em partes. Realmente, acredito que a avaliação de um dirigente deva ser feita pelos seus resultados (não só os obtidos em quadra), mas acho que o Ary está indo para um caminho um tanto quanto perigoso de acúmulo de poder e já deu sinais que está disposto a tentar mudar a regra da FIVB. Por mais que alguém seja bom, a permanência de alguém em um cargo por muito tempo nunca é positiva, ainda mais no esporte, onde a gente está cansado de ver dirigentes se eternizarem no pode associando-se com outros que também só querem saber de ficar lá para sempre. Abre um precedente perigoso

– Sobre o conflito ético de dirigir ao mesmo tempo a CBV, a Confederação Sul-Americana e a FIVB:

“Meu mandato na CBV vai até 2016, depois das Olimpíadas, mas já me licenciei. Na Sul-Americana, da mesma forma. E assumiram estatutariamente os dois vice-presidentes”

Muito bom. Mas… alguém aí então sabe quem está comandando hoje a CBV? Isso não poderia ficar mais claro, através da divulgação de alguma nota oficial? Se alguém viu, a caixinha de comentários está aberta.

Detalhe importante: a mesma reportagem diz que o Ary transformou a galera de troféus da CBV em sala de espera do novo escritório da FIVB. É tudo grudado agora.

– Expansão do vôlei

“O desafio é vender. Hoje, o voleibol mundial está restrito. Somos fortes apenas em 20, 25 países. No resto, ficamos em níveis inferiores (…). A finalidade imediata é fazer com o vôlei de quadra o que fiz na praia, com a Continental Cup, que trouxe 143 países para disputar vaga nas Olimpíadas. A palavra é oportunidade. E para todo mundo”

Excelente, de verdade. O vôlei precisa mesmo deixar de ser tão concentrado.

– Rebaixamento na Liga Mundial e no Grand Prix

“A Liga Mundial hoje reúne 16 times. Fiz uma proposta de competição apenas com os oito melhores times do mundo. E aí, teria uma Segunda Divisão com outros oito e a Terceira, dando oportunidade para o mundo inteiro entrar. Em todas elas, um sobe e outro cai. Isso nunca houve na Liga Mundial. É uma sugestão que acho que vai ser aprovada, mês que vem”

Ideias interessante, mas que vai gerar muita polêmica. De qualquer forma, como o Ary mesmo disse, é uma maneira de evitar que estas competições fiquem esvaziadas ao serem disputadas por vários times B. E, se forem mesmo apenas oito na primeira divisão, é uma solução para que os atletas de elite não sejam muito exigidos fisicamente, além de tornar a competição mais rápida e emocionante. Vale ao menos para testes.

– Disputa vôlei x MMA pelo posto de segundo esporte do Brasil

“É uma propaganda muito bem feita, mas uma mentira absurda. Não estou dizendo que o MMA não vá adiante. Estou dizendo que há uma limitação de público, dada a brutalidade que é. É um modismo, como foram tantos outros. Quero ver consolidar. Não se pode falar em consolidação antes de dez anos. Essas coisas surgem e vão embora, são os cometas (…) O UFC, enquanto tiver brasileiro ganhando, tudo bem. Quando não tiver, acabou (…) Só que o UFC só tem americano e brasileiro. O japonês tentou entrar e não conseguiu. Na Europa, não tem. Não perturbam. Tenho estatísticas de tudo. Eles não incomodam ainda”

Concordo em partes. Realmente, ainda não dá para falar que o MMA é um esporte consolidado, até porque sua grande força hoje, o UFC, na verdade é uma empresa que, em teoria, pode falir a qualquer momento, e não uma Federação que reúne representantes de vários países. Além disto, o MMA, de fato, está restrito a certas partes do mundo, mas não acho que podemos subestimá-los

– Renovação de Bernardinho e Zé Roberto

“Com o Bernardinho já está tudo bem adiantado. Tivemos uma conversa em Londres, após as Olimpíadas. Com o Zé Roberto, ainda falta uma conversa com o diretor-técnico, Paulo Márcio, para acertarmos tudo. Realmente, a exclusividade é um desejo meu, mas não significa que seja uma obrigação. É aquilo: vou tirar por que? Só porque acham que é preciso mudar a toda hora? Mudar para quê? Se é bom, fica. Se não é bom, sai”

Que bom que o Ary resolveu abrir mão da exigência sem sentido de os treinadores da seleção não comandarem um clube também. Eles mesmos não queria se submeter a isso, seja por questões financeiras ou porque acham que rendem melhor trabalhando na beira da quadra naquele período que as seleções não jogam. A princípio, pode parecer um conflito ético, mas sinceramente até hoje não vi nenhuma convocação que teria sido influenciada pelo fato de Zé Roberto e Bernardinho estarem no clube X ou Y.

PS:  Impressão minha ou nesta resposta ele falou como se ainda fosse ou presidente da CBV?

E você, o que achou das ideias do novo presidente da FIVB? Quem quiser ler a entrevista completa pode clicar neste link aqui

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6 Comentários »

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  1. Gostei. Eu concordo com o Ary. Ah e o volei está a anos luz a frente do MMA.

  2. A vaidade do Ary não vai deixá-lo desligar-se da CBV pelo menos enquanto as seleções estiverem no topo. acho algumas propostas dele bem interessantes .não sei se irão vingar.
    Concordo com vc que é um perigo essa história de mandatos longos, rarissímos dão certo.
    Quanto ao MMA não acho que seja uma febre, veio pra ficar. Mas o vôlei tem a vantagem de ser muito mais popular e abrangente.

    • Esse é o problema, Sandrinha… a vaidade é capaz de destruir até grandes trabalhos. E o Ary está indo perigosamente para este lado. Abs!

  3. Acho que ele deveria mudar mais a questão dos locais de algumas competições como o grand prix que só vem acontecendo na Asia,
    Concordo quanto as divisoes da Liga e do Grand Prix
    e MMA nao agrada a todos…ja o volei sim..
    Quantos ao excesso de mandatos acho errado , alguem novo deveria assumir e ir aprendendo como que funciona a CBV

    • Você teria alguma sugestão para este nome, Matheus? Eu, pessoalmente, acho que Ana Moser seria uma ótima sucessora, mas dificilmente acho que isso vai acontecer. E o Grand Prix precisa urgentemente sair um pouco da Ásia. Abs!


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