Algumas impressões sobre o caso “Mari x Zé”

21/11/2012 às 19:37 | Publicado em Mari, Zé Roberto | 11 Comentários

Crédito: Felipe Christ/Amil

Durante o lançamento das Superligas masculina e feminina de vôlei, nesta quarta (22) em São Paulo, encontrei o técnico José Roberto Guimarães. E, claro, um dos assuntos da entrevista não poderia deixar de ser as fortes declarações de Mari para a “Isto É 2016”.

Como já havia feito antes, Zé não quis aumentar a polêmica e limitou-se a dizer:

“Cada um tem a sua opinião e a dela tem que ser respeitada”

Ainda tentei insistir um pouco e perguntei se, caso volte a jogar bem, Mari poderá ser convocada novamente. A resposta, também curta, dá o tom do quão delicada é a questão:

“Isso é outra coisa…”

Estou longe de ser dona da verdade, mas gostaria de compartilhar minhas impressões sobre o caso (são apenas impressões, por favor):

1. É improvável que Mari volte, seja porque não quer, seja porque Zé Roberto dificilmente se arriscaria a ter uma convocação negada. Isso não significa que as portas estejam definitivamente fechadas, já que a relação entre ambos viveu altos e baixos nos últimos anos e uma conversa profunda entre eles podem apaziguar as mágoas que estão evidentes para o público

2. Apesar de nem todo mundo aprovar as suas atitudes, Mari ainda continua respeitada no grupo e não é por acaso que ninguém a critica veementemente. Algumas jogadoras até dizem que ela “tem razão em muita coisa”, conforme saiu em destaque em muitos sites por aí.

3. O fato de concordarem com parte das declarações de Mari não significa que as jogadoras estejam contra Zé Roberto. Problemas existem, claro (quem aqui tem uma relação perfeita com o chefe?), mas daí a imaginar que as atletas não suportariam a sua permanência na seleção é errado.

4. A principal concordância com relação ao que Mari disse está na parte onde ela declarou que o “clima estava ruim” no time. Isto, porém, não aconteceu em função de diferenças pessoais irreverssíveis, mas sim por conta da péssima fase vivida pelo Brasil entre o fim de 2011, com o fracasso na Copa do Mundo, até a primeira fase em Londres, quando nada dava certo e a eliminação só não veio por conta da honestidade americana e/ou incapacidade turca

Enfim, a seleção feminina está longe de ser aquela coisa bonita de livros motivacionais e certas atitudes e decisões deixam consequências, muitas vezes ruins. Cada um tem suas razões nessa história e cabe a cada um tirar as suas conclusões

Anúncios

11 Comentários »

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

  1. Acompanho o volei feminino há mais de 30 anos e crises e momentos delicados fazem parte de toda seleção, por melhor que ela seja. O importante é superar esses períodos ruins e isso nossas meninas sabem fazer muito bem. Quanto as pequenas desavenças, fica a máxima: “Uma torcida não quer paz, uma torcida quer é glória!!!”

  2. Tipíco da mídia brasileira. Discutir um assunto de maneira exagerada até que se possa tirar dele, ou pelo menos achar que se tira, um pouco de atenção. Mari é ouro olímpico com um merecimento indiscutível. Seu corte para londres foi justo e, queiram ou não, o Brasil voltou com o ouro de Londres e com sua credibilidade resgatada. Agora é bola pro saque e que comece a Superliga. Deixe a Mari na turquia com suas injeções para amenizar suas dores na perna e deixe o Zé em Campinas, trabalhando por um lugar ao sol na Superliga com seu time de campinas.

  3. A Mari sempre apresentou problemas de relacionamentos, ZRG já qdo jogava no Pesaro, Italia, dps com o Rizzola e Mauro Grasso pelo Sanca, com Bernardinho tb não foi as mil maravilhas, enfim… Praticamente uma encarnação da Venturini, mt provavelmente será a Mari, e não a Venturini, quem nos dirá quem é o Zé Roberto de verdade, rsrsr

  4. A Mari é uma boa jogadora, mas sempre se mostrou muito imatura. O Zé Roberto com certeza deve errar muito, mas ele é o comandante. Felizmente, temos muitas jogadoras de alto nível no Brasil. Ninguém é insubstuível! Maus e bons momentos no trabalho temos todos os dias. Ou alguém aqui é seu próprio chefe? Fico cansada de ler essas declarações da Mari, de ver a Fabizinha mandando o mundo “calar a boca”, etc. Isso não é atitude de profissional! Essas “meninas” precisam amadurecer muito ainda. São as melhores, não tenho dúvidas, mas ainda sim deixam a desejar na postura enquanto profissionais. Já pensou se todos aqui irritados com a posição do chefe começassem a dar declarações assim? Estaria todo mundo na rua. Acompanho o vôlei feminino há uns 15 anos. Sou apaixonada pelo esporte, mas tenho uma opinião forte que vale pra Mari e as demais: Quem tem amor a seleção supera essas dificuldades, busca melhorar para merecer a posição no time. Quem honra de verdade a camisa que veste evita ficar dando qualquer declaração por aí, jogando “merda no ventilador”. Isso é coisa de amador! Tá complicado, procura ajuda psicológica no time, na empresa… ou então caí fora! Temos excelentes ponteiras vindo aí… ela já deu uma boa contribuição na seleção.

    • Apoiadíssima!

  5. Parabéns pela maneira como debate o caso. Sendo um espaço onde se discute e informa sobre voleibol, o assunto deve ser comentado, porém com o cuidado de ser imparcial, neutro, apenas esclarecer verdades e não pressa em julgamento.

  6. Como sempre Carol com a declaração mais sensata de toda essa história. Só não entendo porque tanta polêmica, se o ZRG só fez o trabalho que lhe cabe como técnico: cortar algumas jogadoras em prol de outras. Realmente tem que ter muita paciência e controle emocional pra comandar um grupo de mulheres. É muita vaidade em jogo. E quanto a futuras convocações não acredito que Mari e Paula voltem mais pra seleção, tanto pelo que veem jogando quanto pelas declarações que deram após olimpíadas.

  7. Excelente este post! Concordo plenamente com os comentários da Eliana Hafiza. A Mari é uma excelente jogadora. Tenho certeza que, se voltar a seleção, vai ainda nos dar muitas alegrias! Espero que ela mostre toda a sua competência na bola e que realmente mereça uma posição na seleção.

  8. O problema do Zé Roberto é que ele colocou em um tottem suas estrelas, dando poderes além da quadra para as atletas criando a maior panela já vista numa seleção. Quando viu, estava fraco e desacreditado perante o grupo. Na minha humilde opinião, o corte da Mari foi mais para tentar reconquistar o respeito das jogadoras mas foi um tiro no pé! Se fosse uma questão técnica ou de relacionamento, ou mesmo disciplinar a Mari deveria ter sido cortada em 2010. Então, faltou sabedoria para o sr Ze Roberto para não deixar que as jogadoras como Sheila Fabizona e Fabizinha assumissem as rédeas da seleção. Agora aguenta!

  9. […] nem Bernardinho são perfeitos. Zé, por exemplo, vive um desgaste claro com as meninas, apesar de eu achar que a situação não é tão grave assim. Bernardinho, por sua vez, também cometeu “cabeçadas” ao longo do último ciclo […]

  10. […] nem Bernardinho são perfeitos. Zé, por exemplo, vive um desgaste claro com as meninas, apesar de eu achar que a situação não é tão grave assim. Bernardinho, por sua vez, também cometeu “cabeçadas” ao longo do último ciclo […]


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.
Entries e comentários feeds.

%d blogueiros gostam disto: